Quem produz não verifica: o método, explicado sem jargão
Quem já escreveu um relatório conhece a experiência. Relê-o três vezes, entrega-o, e o colega do lado encontra o erro na primeira página. Não foi descuido. Quem escreve lê o que quis dizer, e o que quis dizer está certo. O erro está no que ficou escrito, e esse texto só o vê inteiro quem chega a ele sem saber o que lá devia estar.
É a primeira regra do nosso método: quem produz não verifica. O resto do método existe para a cumprir.
Uma regra que os ofícios técnicos já conhecem
A ideia não é nossa. Em muitos ofícios técnicos, o cálculo é conferido por quem não o fez, o contrato é relido por quem não o redigiu. Não se vê nisso desconfiança em relação a quem fez o trabalho. É a forma de apanhar o que o autor, por ser o autor, não consegue ver.
O que mudou foi a escala a que se produz texto. O primeiro artigo desta série partiu de uma constatação, a de que quem explica melhor perde para quem publica mais, e defendeu que a saída não é publicar mais: é passar a existir publicado. Isso pede produção regular, e com inteligência artificial produzir deixou de ser o passo caro. Continua caro saber se o que foi produzido aguenta a leitura de quem percebe do assunto, que é o tema do artigo anterior. Produzir depressa e verificar como antes é publicar os defeitos ao ritmo a que se produz.
Quem produz: agentes, a partir da sua matéria
A produção é feita por agentes de inteligência artificial operados pela doing digital. Dizemo-lo logo, porque o resto do método só faz sentido sabendo isto.
Os agentes não escrevem a partir do tema. Escrevem a partir da conversa consigo: das palavras com que já explica o seu trabalho aos clientes, das exceções, dos casos em que a resposta honesta começa por «depende». O agente redige. A matéria é sua.
Quem lê a seguir: alguém que não escreveu, com ordem para derrubar
O texto produzido é lido a seguir por um revisor que não participou na produção. No nosso método, esse primeiro revisor é também um agente, separado do que escreveu e com uma instrução contrária: encontrar a linha em que o texto cai.
A instrução muda o que se encontra. Quem lê para aprovar chega ao fim à procura de razões para dizer que sim, e costuma encontrá-las. Quem lê para derrubar detém-se em cada afirmação e pergunta se ela aguentaria a leitura do mais exigente dos pares do autor. O que não aguentar fica apontado, com o texto que o deve substituir, antes de o texto seguir para o portão.
De onde veio cada afirmação
A pergunta central da revisão é simples de fazer e trabalhosa de responder: de onde veio isto?
Para cada afirmação técnica, a revisão quer poder apontar o sítio de onde veio: uma frase sua na conversa, ou uma fonte que qualquer pessoa possa abrir. A afirmação sem nenhuma das duas sai do texto ou regressa à conversa, por mais plausível que pareça. Parecer plausível é o que um texto produzido por inteligência artificial consegue com mais facilidade, esteja certo ou não.
A regra responde também a uma objeção justa: quem revê nem sempre é do seu ofício. Não precisa de ser para fazer esta pergunta. Saber se uma afirmação tem origem não exige ser engenheiro ou advogado, exige ir procurá-la. A competência técnica entra no texto pela conversa consigo; a revisão procura o que tenha entrado por outro lado.
O portão: tudo no primeiro mês, depois por amostra
Depois da revisão vem o portão, o ponto em que uma pessoa lê o que foi produzido e revisto e decide se sai ou volta para trás.
No primeiro mês de cada cliente, passa pelo portão tudo o que é produzido. É o mês em que menos sabemos da sua matéria, do seu vocabulário e das suas exceções, e por isso o mês em que mais se aprende com o que volta para trás.
Depois, o portão passa a ler por amostragem. Seria mais fácil vender a promessa de que uma pessoa lê tudo, sempre, e preferimos não a fazer, porque não é assim que funciona. A amostra tem uma regra: quando sobe a proporção do que o portão manda para trás, a amostra volta a crescer.
O que não entra na amostra não fica sem dono, e é aí que entra a última peça do método.
Um nome no fim
Tudo o que sai é assinado por uma pessoa com nome, que responde por isso. Nos nossos artigos, é o nome que está no fim da página.
A assinatura é a parte do método que não se delega. Um agente produz, outro revê, o portão lê o que lê, e quem assina responde pelo conjunto, incluindo o que o portão não leu.
O que o método não promete
Não promete textos sem erros. Promete um método escrito, que se pode descrever como aqui o descrevemos, e uma pessoa a responder pelo que sai.
Não transforma quem revê num especialista da sua área. Confere origens. A matéria continua a vir de si.
E não dispensa a conversa consigo. Sem ela, os agentes escreveriam a partir do tema, e o texto teria os sinais que descrevemos no artigo anterior.
Perguntas frequentes
Um agente a rever outro agente não é a máquina a corrigir-se a si própria?
Em parte, sim. O revisor é um agente separado, com a ordem contrária à de quem escreveu, mas pode partilhar pontos cegos com ele. Por isso não vem sozinho. Depois dele vem o portão, onde lê uma pessoa: tudo no primeiro mês, uma amostra depois. E no fim há uma assinatura com nome, que responde também pelo que o portão não leu. A revisão por agente existe para que a leitura de uma pessoa se gaste nos problemas que uma máquina não apanha.
Porque é que uma pessoa não lê tudo, sempre?
Porque o tempo de uma pessoa a ler é o recurso mais caro do método, e gasto por igual em tudo deixa de estar onde faz falta. No primeiro mês lê-se tudo, porque tudo é novo. Depois, a amostra concentra a leitura e volta a crescer quando sobe a proporção do que é recusado. O que não é lido continua assinado.
O que me pedem a mim?
A conversa. Explicar o seu trabalho como já o explica aos seus clientes, com os «depende» e as exceções lá dentro. É dessa conversa que sai a matéria, e é a ela, ou a uma fonte que se possa abrir, que a revisão vai buscar a origem de cada afirmação.
O passo seguinte
Há uma pergunta que vem antes de qualquer texto sair em seu nome: o que é que a sua presença digital já diz hoje a quem chega? É a essa pergunta que responde a auditoria de presença digital. Olha para o seu site, para a sua visibilidade nos motores de pesquisa e nos sistemas de inteligência artificial, e para os seus concorrentes diretos. Depois de confirmada e paga, é entregue em 10 dias úteis: um documento com cada achado e a evidência ao lado, um plano por ordem de prioridade e uma conversa sobre ele. Custa 390 €, IVA incluído. Se contratar um acompanhamento mensal nos 30 dias seguintes à entrega, o valor da auditoria abate até ao valor de um mês desse acompanhamento.
Pede-se por email ou por WhatsApp, pelos contactos que estão na página da auditoria.
Produzido com agentes de inteligência artificial operados pela doing digital, verificado pelo método e assinado por quem responde por ele.
Ricardo Lourenço
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